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BLOG do VISCONDE



Sábado, 29.09.07

Riner Maria Rilke e eu


Rilke


quando queria fazer poemas
pedia emprestado um castelo
tomava da pena de prata ou de pavão,
chamava os anjos por perto,
dedilhava a solidão
                como um delfim
conversando coisas que europeu conversa
entre esculpidos gamos e cisnes
                - num geométrico jardim.

Eu

      moderno poeta, e brasileiro
      com a pena e pele ressequidas ao sol dos
          trópicos,
      quando penso em escrever poemas
         - aterram-me sempre os terreais problemas.

      Bem que eu gostaria
      de chamar a família e amigos e todo o povo
      enfim e sair com um saltério bíblico
      dançando na praça como um louco David.

Mas não posso,

      pois quando compelido ao gesto do poema
      eu vou é pegando qualquer caneta ou lápis e
           papel desembrulhado
      e escravo
      escrevo entre britadeiras buzinas seqüestros
             salários coque'teis televisão torturas e
             censuras
e os tiroteios
     que cinco vezes ao dia
     disparam na favela ao lado

metrificando assim meu verso marginal de
     perseguido
que vai cair baldio num terreno abandonado


Afonso Romano de Sant'Ana

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por Visconde de Sabugosa às 18:54



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