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BLOG do VISCONDE



Domingo, 28.10.07

A Montanha (Humberto Gessinger)

Nem tão longe que eu não possa ver
Nem tão perto que eu possa tocar
Nem tão longe que eu não possa crer que um dia chego lá
Nem tão perto que eu possa acreditar que o dia já chegou
No alto da montanha, num arranha-céu
No alto da montanha, num arranha-céu
Se eu pudesse, ao menos
Te contar o que se enxerga lá do alto
Com céu aberto, limpo e claro ou com os olhos fechados
Se eu pudesse, ao menos, te levar comigo lá
Pr'o alto da montanha, num arranha-céu
Pr'o alto da montanha, num arranha-céu
Sem final feliz ou infeliz...atores sem papel
No alto da montanha, à toa, ao léu
Nem tão longe, impossível
Nem tampouco lá... já
No alto da montanha, num arranha-céu
No alto da montanha, num arranha-céu
Sem final feliz ou infeliz...atores sem papel
No alto da montanha, num arranha-céu

PARA ASSISTIR AO VÍDEO DESTA BELA CANÇÃO:
http://www.youtube.com/watch?v=awuximye5uA&feature=player_embedded

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por Visconde de Sabugosa às 01:28

Sábado, 27.10.07

Pensamento

Só se pode viver perto de outro,
e conhecer outras pessoas, sem perigo de ódio,
se a gente tem amor.
Qualquer amor já é um
pouquinho de saúde,
um descanso de loucura.


João Guimarães Rosa

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por Visconde de Sabugosa às 00:09

Sexta-feira, 26.10.07

Cotidiano 2

A lenha espocava na fogueira.

Lá fora o agricultor trabalhava

à espera do almoço,

que não tarda nunca em sair.

Em casa, o feijão esquenta na panela

enquanto a mulher alimenta as galinhas.

Todos os dias são iguais no campo...

Ai, meu Deus, que solidão.

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por Visconde de Sabugosa às 16:58

Sexta-feira, 26.10.07

ORAÇÃO CONTRA AS BRUXAS

Balança bruxólico - Franklin Cascaes

ANTES DE COMENTAREM ESSE TEXTO, PEÇO-LHES A GENTILEZA DE CAPTAREM NAS SUAS ENTRELINHAS, POIS, EM NENHUM MOMENTO EXPRESSEI SENTIMENTOS DE DESRESPEITO A ESSA OU ÀQUELA CRENÇA. O INTUITO DESSE POST FOI PURAMENTE E MERAMENTE LITERÁRIO E DIZ RESPEITO UNICAMENTE A UM REGASTE ANTROPOLÓGICO DE UM TRADIÇÃO ANTIGA NA ILHA DE SANTA CATARINA.

 

É costume na Ilha de Santa Catarina, entre o povo nativo da região, descendente de açorianos, crer que quatro vezes ao ano, no início de cada nova estação, as bruxas reúnem-se com o Diabo e beijam-lhe o rabo, em reunião, para planejarem as maldades nesse período. Segundo a tradição, bruxas preferem atacar pessoas impertinentes, mas não só, gostando também de prejudicar crianças e fazer maldades contra outras pessoas. Para afugentá-las criou-se essa reza:


 

ORAÇÃO CONTRA AS BRUXAS


Pela cruz de São Saimão
Que te benzo com a vela benta
na sexta-feira da paixão.

Treze raios tem o sol,
treze raio tem a lua.
Salta demônio para o inferno,
pois esta alma não é tua.

Tosca Marosca,
rabo de rosca.
Aguilhão nos teus pés
e relho na tua bunda.

Por baixo do telhado
São Pedro, São Paulo e São Fontista.
Por cima do telhado
São João Batista.

Bruxa tatarabruxa,
tu não me entres nesta casa,
nem nesta comarca toda.
Por todos os santos, dos santos,
Amém!

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por Visconde de Sabugosa às 16:51

Quarta-feira, 17.10.07

A Rodrigo de Haro

Aprendi com o Rodrigo de Haro

que Poesia é plasticidade.

Com o Rodrigo de Haro entendi

que o poeta é simples e espontâneo,

como aquela senhora

debruçada ao pé do oratório

rezando para a Virgem Maria.

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por Visconde de Sabugosa às 22:48

Sábado, 13.10.07

A hora marcada*

    Cansado eu me retiro do trabalho. Sete horas da noite e essa merda de semana que não passa. Sempre digo que o trabalho numa repartição é o mais enfadonho, pois se cumpre um expediente vazio e sem muito o que fazer. O motivo que me faz trabalhar nessa porcaria de emprego não é o ônus que recebo por vender minha força de trabalho, mas simplesmente o aconchego e tranqüilidade que essa função me proporciona. Consegui esse trabalho por indicação de um amigo, há sete anos, e desde então não saí mais -- mera conveniência dada por uma brincadeira boba do destino.

    Geralmente freqüento o Bar Brasil, na Alameda do Rato, após o expediente. Porém hoje, arbitrariamente hoje, estou sem saco para aturar as brincadeiras da Rosana Chupa-Rolas, aquela vadia gorda que trabalha no bar e acha que é gostosa. Hoje vou para casa dar um cheiro na Lurdinha e transar com ela de tudo quanto é jeito. Lurdinha é mulher fogosa e me ama. É o tipo de mulher feita para ter vários maridos, dois ou três por noite, dependendo do movimento e da necessidade. Acontece que atitudes desse tipo não fazem parte de seu gênio. Se assim fosse estaria até hoje me aturando?

    Sempre que chego em casa me recepciona aos beijos, com carinhos e um sorriso lindo. Mesmo nos dias em que digo não, em que não correspondo aos seu afagos, ela se resigna a dar-me um beijo e dizer: -- "Tudo bem, querido! Amanhã faremos xenhenhem..." Por isso é que estou indo mais cedo para casa hoje, com uma linda rosa e um cartão nas mãos. Hoje aquela safada gostosa não me escapa; aquela depravada será minha. Hoje ela verá quem é Leocádio Santos.

    Já avisto atrás da curva meu barraco. Aquela casinha azul, ali, modesta -- cenário comum às nossas obscenidades amorosas --, crepitará chamuscante logo mais. Lurdinha arderá fogosa em nossa cama, semovente como uma vampira ávida por sangue. É sempre assim com ela: quando a como sempre fica uma fresta da janela aberta no intuito de que alguém nos veja. Dá mais excitação e a faz gozar mais gostoso -- coisa que geralmente faz com a buceta em minha boca.

    Chego em casa e abro, já louco, o portão devagar, como para fazer uma surpresa -- Lurdinha adora surpresas. Porém, quando entro no terreno, percebo que a janela está entreaberta e que, no quarto está Lurdinha com outro homem. De quatro ela geme e sua feito cadela no cio, pedindo pau e querendo ser chamada de puta. Louco e transtornado, penso entrar na casa e acabar lentamente com os dois enquanto transam e gozam. Porém, percebendo que tudo isso faz parte de um jogo, espio ansioso Lurdinha gozar, ciente de que ela sabe de minha presença.

    Estranho é que parece ainda mais gostosa e insinuante no corpo de outro homem -- espécie de ritual de preparação para desejos incontroláveis. Com um puta tesão nada faço; espero apenas o tempo passar, até que se anuncie a hora de minha costumeira chegada, prenúncio amoroso da nossa hora marcada.


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* Resumo do conto homônimo escrito no mesmo dia.

 



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por Visconde de Sabugosa às 04:17

Quarta-feira, 03.10.07

Entre o Ser e o não-ser

Entre o Ser e o não-ser

... Ele vai Sendo.

Crescendo e sozinho, sempre,

vai traçando seu destino

como manda o figurino

de um menino carente.

Sem ambições, mas com perspectivas,

vai lutando sozinho...

Tentando um dia ser gente.


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por Visconde de Sabugosa às 05:43


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